Série revela impacto das Cadernetas Agroecológicas na vida das agricultoras atendidas pelo Pró-Semiárido

A Caderneta Agroecológica existe porque o trabalho da mulher agricultora estava invisibilizado. A labuta diária no seu quintal para garantir o alimento que não era comprado no mercado, as trocas, as vendas do excedente, nada disso entrava na conta no final do mês. Com o uso da Caderneta Agroecológica para anotar e gerir a produção, esse trabalho passou a ser visualizado, mais do que isso, impactou as relações sociais e econômicas e descortinou novos horizontes para as agricultoras atendidas pelo projeto do Governo do Estado, Pró-Semiárido, ação de combate à pobreza rural executada pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR/SDR), cofinanciada pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA).

Dessa mudança de perspectiva nasce a série Guardiães da Agrobiodiversidade, com depoimentos de 13 agricultoras, que serão divulgados ao longo de um mês, todas as segundas, quartas e sextas, a partir do próximo dia 06/07. Relatos como o de dona Antonieta de Jesus, da comunidade de fundo de pasto Paranazinho, em Mirangaba: “Eu era assim, como toda mulher que trabalha o dia todo, mas no final tem a sensação que não fez nada. Isso porque a gente não vê o dinheiro, né? Mas quando a gente passa a anotar na Caderneta tudo que a gente produz, a gente vê o quanto trabalha e que aquele trabalho tem valor”.

O objetivo da Caderneta é justamente dar luz ao trabalho da mulher agricultora e fazer com que ela perceba o seu valor e que também contribui com a renda familiar. “Essa ferramenta é revolucionária, pois permite a essas mulheres se sentirem valorizadas, ao ver que todo trabalho feito por elas, no entorno da sua casa ou em outra área em que ela tem o poder de decidir, pode e deve ser anotado, monitorado, registrado! Isso faz com que ela perceba a renda gerada, seja monetária ou não, para a economia familiar dela”, explica a assessora de Gênero do projeto Pró-Semiárido, Elizabeth Siqueira.

Diante do novo cenário imposto pela pandemia pela Covid-19, e sem poder ir a campo acompanhar as atividades com as Cadernetas Agroecológicas, a Série é, também, mais um instrumento criado pelo Pró-Semiárido para dar continuidade ao trabalho desenvolvido há mais de cinco anos com essas mulheres. “É importante buscarmos alternativas para dar continuidade ao trabalho e umas das formas que encontramos foi realizar essa escuta, pra gente poder chegar mais perto dessas mulheres e sistematizar os resultados alcançados com a Caderneta, através dos depoimentos das próprias agricultoras”, ressalta Elizabeth.

Ela assinala ainda que, além de amplificar as vozes das mulheres, a produção da Série também tem sido um instrumento para animar e incentivar as agricultoras a continuarem anotando o resultado de suas produções: “É importante que elas continuem anotando pra que a gente continue tendo elementos para buscar novas ações nessa área de domínio feminino”.

A série Guardiães da Agrobiodiversidade é uma produção do Projeto Pró-Semiárido com apoio das organizações não governamentais parceiras: Irppa, Coopercuc, Sajuc, AAPJ, Idesa, Sasop, Aresol, Cactus, Coopser e Cofaspi.

História - A Caderneta Agroecológica (CA) foi concebida, em 2011, pelo Centro de Tecnologias Alternativas na região de Zona da Mata em Minas Gerais (CTA/ZM), em interlocução com o Grupo de Trabalho Mulheres da Articulação Nacional de Agroecologia – (GT/ANA).

O Programa de Formação em Feminismo e Agroecologia (CTA), em 2013, foi o primeiro a utilizar a metodologia das Cadernetas. Logo após, também 2013 e em 2015, o GT da ANA aplicou este instrumento dentro de um programa de formação, cujo a temática principal foi “Feminismo e Agroecologia”, financiado pela União Europeia e levado a todas as regiões do país. 

O Pró-Semiárido é o projeto com maior número de mulheres utilizando de forma sistemática a Caderneta Agroecológica, 374 agricultoras. Este trabalho tem apoio do Projeto Semear Internacional, ação cofinanciada pelo FIDA.

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03/07/2020

Série revela impacto das Cadernetas Agroecológicas na vida das agricultoras atendidas pelo Pró-Semiárido

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