Terra Madre Brasil traz para a roda de conversa comidas de origem africana

Dendê, pimenta, leite de coco e outros ingredientes, inseridos pelos africanos na alimentação, contribuíram para uma nova forma de cozinhar e de comer, especialmente na Bahia, dando origem a uma culinária afro-baiana, que mistura também elementos europeus de essência portuguesa. Essas e outras peculiaridades foram debatidas no Terra Madre Brasil 2020, evento que está sendo transmitido, ao vivo, no canal do Slow Food Brasil, no Youtube.

As Comidas de Origem Africana e sua Popularização fora das Comunidades Quilombolas e Religiosas foi o tema do evento, realizado em homenagem ao Dia da Consciência Negra. A iniciativa é da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), por meio da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), no âmbito do projeto Bahia Produtiva.

“A ideia de promover essa atividade, no dia da Consciência Negra, e da valorização do povo preto aqui no Brasil, é mostrar, a um maior número de pessoas, a valorização da culinária, da gastronomia e do poder de mulheres negras, à frente de seus trabalhos em restaurante, tanto aqui de Salvador como de São Paulo e a popularização que os produtos de origem africana têm no Brasil", disse Guilherme Souza, coordenador de Inteligência de Mercado, do projeto Bahia Produtiva. Ele lembrou que o Bahia Produtiva é um projeto do Governo do Estado que financia e apoia iniciativas em comunidades quilombolas, em toda a Bahia, e percebeu a necessidade de revelar esse potencial das comidas de matriz africana para o público do Terra Madre Brasil 2020. 

Participaram da conversa, moderada pelo engenheiro agrônomo e assistente territorial do Bahia Produtiva, Wallace Aguiar, Ana Célia Santos, chef e empreendedora do ZanZiBar, restaurante e espaço cultural em Salvador, que fomenta a gastronomia e a cultura local de origem africana, e Ieda de Matos, do restaurante Casa de Ieda, destinado a servir os sabores de sua terra natal, a Chapada Diamantina. Há anos Ieda mudou-se para a capital paulista, depois, profissionalizou-se na Bélgica. Ieda destacou a importância da busca por informações e conhecimentos sobre a cultura e a origem desses pratos de origem africana, do uso do dendê e das folhas. 

Ela falou ainda que o conhecimento sobre o Candomblé contribuiu, não só para a descoberta da culinária, mas possibilitou também uma abertura para que ela se assumisse como mulher negra: “Aqui em São Paulo eu faço no restaurante a comida que transformou a minha vida. Eu venho de uma cozinha que não usava dendê, mas hoje em dia eu uso e agradeço porque conheci essa cozinha e faço de maneira tradicional como aprendi, mas busco todos os dias conhecer mais. Nós, mulheres pretas, temos que ter força, coragem e continuar resistindo”. 

Ana Celia Batista Santos, do restaurante Zanzibar, explicou algumas diferenças entre as comidas feitas no Candomblé e na comida baiana tradicional, que utiliza ingredientes diferentes dos utilizados na preparação da comida de terreiro: “Tem gente que coloca tudo no caruru, castanha, amendoim e gengibre. Então existe essa diferença. Por exemplo, no meu restaurante eu faço o caruru e não leva coentro e tomate, é um pouco mais parecido com o do Candomblé, com a comida sagrada feita no terreiro.

O evento
O Terra Madre Brasil 2020, evento gratuito, inteiramente dedicado ao alimento bom, limpo e justo, é uma correalização da Associação Slow Food do Brasil e do Governo do Estado da Bahia, por meio da CAR/SDR.

O evento segue até domingo (22/11), com rodas de conversa, diálogos, oficinas do gosto, espaços educativos dedicados à cultura alimentar, apresentações artísticas, entre outras atrações. Para saber mais, acesse www.terramadrebrasil.org.br.

Galeria
20/11/2020

O maior evento da Gastronomia mundial traz para a roda de conversa comidas de origem africana

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